Friday, September 21, 2007

Como no primeiro dia

Corremos,
Corremos pela praia fora,
Estancámos de repente,
E olhamo-nos,
Como no primeiro dia.
Corremos outra vez,
Desta vez,
Mais velozes que nunca,
Quase,
Não consiguiamos parar,
De tanto
Os nossos passos se confudirem,
Num mesmo movimento,
De saudade e amargura.
Quando finalmente,
Consegui parar,
Sentei-me
Numa pedra do caminho,
Quando olhei,
Já não estavas lá!
Onde foste?
Que me esqueci
Do teu jeito de olhar
Como a sede
De uma planicíe deserta
Num Verão em pino.
Quis acordar
Do sonho,
E quando finalmente o fiz,
A cama estava vazia de ti.
Fiquei horas
Na contemplação
Das mesmas horas
Que não passam.
Mais uma vez a data tinha passado
E a promessa por cumprir.
Quando me virei
Para o pôr do sol
Já era Inverno outra vez.
Tremi de arrepio
No tormento dos pés frios
Quendo será outra vez estio?
Na mágoa
De uma canção
Do primeiro dia.

Friday, September 14, 2007

O assobio



Um assobio
Numa terra distante,
De um enclausurado norte.
Vento,
Que redopiou,
E se tornou sul,
E na minha mão
Assentou.
Memórias,
De outras Outonos,
Madrugadas,
De outras Primaveras.
Vem tudo
Eclodir
Na sílaba
De um grito.
Quis tapar os ouvidos
Perante esse clamor
Vindo
De uma aldeia
Perdida no espaço,
E envolvida
Em embaraço.
Quis cuspir
O grito
E soube-me a boca
A bafio
De outras quimeras
Mais destas.
Enfim,
Veio o silêncio,
Que purifica
Após as tempestades,
E fiquei só contigo
Na praia.